9.9.14

Embalando a noite

De vinte e um dias, na sétima noite contamos a noite estrelada. O azul brilhante dos teus olhos reflectiam-se em mim, custava respirar... Abraça-me e beija-me, porque transformarás o instante em eterno. Serei Tua.

Agarro-me aos cinco sentidos.

Visão, olhares desvanecidos que se completavam de um para o outro; 
Olfato, respiração do teu cálido aroma; 
Audição, repetidas conversas jubilas daquela perfeição; 
Paladar,um fumo granulado disfarçado entre o febril beijo; 
Enfim, o Tacto...  As unhas que te contornam o corpo, as tuas mãos que desenham o meu provocam-me curtos arrepios e um instante eterno nasce por ti. Agora arrepio-me semprea cada instante que tu tornas eterno.

"A pele mais bela", mas o teu olhar... o mais dócil que já vi, e vi-o algures quando um outro corpo viveu um passado meu. Vi-te e sei que me perdi por ti e tu por mim te perdeste, completamente atordoados pela flama tiraram-nos o coração. 

Acordei com um corpo comprido e uns olhos abertos ao presente que te trouxe até mim.  Atordoaste-me mais uma vez pelo azul oceânico da tua íris, viajei ao passado e conclui que ali acontecera o melhor instante eterno. Voltaste a mim.


2.9.14

Noites de ti

Estávamos no cinema, acabávamos de comprar bilhetes para um filme que não me recordo. Recordo-me sim de nos ver completamente hipnotizados um pelo outro, uma paixão que se gerava dentro daquele espaço vagamente  familiar aos meus olhos. Minutos depois os ponteiros do relógio decidiram avançar e rapidamente via-nos no meu lugar, terra a minha. Numa mesa de um restaurante aparentemente estrangeiro, (familiar novamente) rústico e semelhante à dita hamburgaria que gostaste, sim tu lembras-te; sorriamos palavras um ao outro, falávamos sem nada dizer, aliás tudo era dito, muito e muitas vezes. Era suficiente um infinito olhar para que aquele meu parvo sorriso se esboçasse. Ficaste só tu, eu via-te claramente e falava contigo. Não falava, mas tudo te dizia. Mais...

... E sonhei toda a noite... E sonhei-Te realmente.


Saudades de ti,
Completa por ti
                                       
        (wb')

10.4.14


Olhos de azeitona


Pensamento no sonho, sonho que em mente concretiza pensamento
Escorrido o arrepio, a fala é desmedida, membros baixos, impulso rompido num 8 de águas mil
Esbelto é o cisne sonhado
Toque hesitante na palavra do olhar incerto, indeciso
Corpo aquele que se esbanja na sala, ressoado de hormonas

Desejo no desejar de ser desejado, desajeito do teu jeito 
 

Dia 9, águas mil





1.5.13

descontrolo

.

Inesperadamente na onda do som vibrante que percorria os corpos, sentia a pulsação do meu ritmo. O espaço reduzido atrofiava-me o movimento, mas o clímax gritava o seu lugar. Esquecer o tempo e perder-me na paragem dos segundos, seguir os impulsos do meu corpo.
Senti desejo naquele espaço... Estímulos da provocação exterior que me levaram, lentamente...

A fugacidade de um respiro mútuo..

29.6.11

Quando caminhas, caminhas sempre preocupada com aquilo que calcas.
Frequentemente, te descalças na tentativa de não tropeçares, mais uma vez, no enrodilhar dos teus pobres pensamentos.
Pensas em quê mesmo? Sabes, as coisas não são só pensamentos e preocupações. As coisas são, são, são... Corpos nus, que à primeira vista te parecem cobertos de vestuário enganoso, mas enganas-te.. Apesar da dificuldade que elas são para ti, para Eles, não são passam de meros vidros. Afinal, que vida tinhas tu sem as coisas? Elas prendem-te, e tu prendes-te a elas com tanta inocência e ingenuidade, que nem te dás conta dos teus passos pela estrada granulada que atravessas.
Estás, exactamente, igual. E prometeste-Te mudar... Agora, nem tens cor que te diferencie do granulado que assim vives, quem ganha cor são as coisas envolta do teu nublado corpo. Gozam com a tua pessoa, e tu, cega, ingénua prevaleces.



Vives, completamente, sozinha minha inocente. Tu não sentes saudade de algo que não consegues ter?
- Sinto. Sempre.


Que te prende a essa solidão cobarde, parva, que te apaga do meio?
- TU.

Eu?
- TU. EU. TU, és a minha prisão.

Dispo a roupa enganosa de mim mesma, ganho coragem para tocar na cor.
Concluo que, mesmo assim, estou neutra.

30.5.11

E assim passo quase 10 minutos, eliminando-te de mim. Respirando finalmente a pureza do oxigénio que me rodeia. E Tu, desfaleces no fumo do pecado
Tens em Ti um orgulho furaz. Que te consome, que te consumará para sempre.
E julgas-te melhor, melhor que eu!
Pena de ti, lamento os teus 7 dias da semana, como os teus anos de existência. Mas sim, lamento acima de tudo, aquilo que foste em mim, e o que te tornaste.
Badalada negra que danças; continua, Eu permanecerei aqui, rindo-me de ti. 
A ironia conversa comigo e comentamos o diabo orgulhoso que habita nesse teu corpo.
Pois bem... Eu estou livre, livre das tuas merdas. 
Tudo acabou.
Para Sempre.



27.4.11




Ai aquele aperto de ânsia permanente. Tua ânsia que te esmaga, de distinção a olhos vistos queres ser. Bem tentas fugir, bem gostas de uma ficção solitária, aquela com que estabeleces silenciosos solilóquios. Vais sussurrando, falando-lhe, gritando-te! Grita, provoca-te, capta a imagem. Nudez interior e exterior de uma vontade tua, de te captares no teu momento. Traços de desejo puro e neutro que rasgas no chão que te queimas. Caminhas então para o teu lugar escondido, onde ninguém te incomoda, no qual estrebuchas o teu corpo da tua amargura. 

Estado líquido.