27.4.11




Ai aquele aperto de ânsia permanente. Tua ânsia que te esmaga, de distinção a olhos vistos queres ser. Bem tentas fugir, bem gostas de uma ficção solitária, aquela com que estabeleces silenciosos solilóquios. Vais sussurrando, falando-lhe, gritando-te! Grita, provoca-te, capta a imagem. Nudez interior e exterior de uma vontade tua, de te captares no teu momento. Traços de desejo puro e neutro que rasgas no chão que te queimas. Caminhas então para o teu lugar escondido, onde ninguém te incomoda, no qual estrebuchas o teu corpo da tua amargura. 

Estado líquido.


18.4.11

Vejo 
Desfaleço.
Acordo.




Vou estando naquela tela, aquela que me não atinge a cms. Os metros vão esfregando as mãos para me tocar. Não vejo. Vejo. Não aprecio. Aprecio  sempre
Sinto-me persistente naquele ponto da tela, o negro insiste perseverante. Que queres de mim? Já me viste, já me abalaste, continuas vivo? Outrora desapareceste, voltas agora para me acordar. Despertas, encarnado, um sentimento vivo em mim, nunca desaparecido.
E assim ficarás no fundo desta doidice honesta. 

Tranquilo, perto, longe, em mim.

15.4.11

Monólogo a 2



Saturada desta atenção que sozinha ligo, busco aquele.

 É negativo o relatório da minha procura, cada vez mais frio sentes. Questionas, perdes a noção do tempo, congelas-te nesses teus sonhos de menina. Necessidade clara da tua verde mocidade, que não te larga quando acordas, quando adormeces. Desejas mais alto quando no contraste negro da persiana te descompões. 

Finalizo, acordo, olho o nada.

Um ciclo se retoma nesses olhos, nessa mente, nesse corpo magro e sensível. 

Transparência habitual.

14.4.11

Ódio de Principiante


Quero queimar-vos, livrar-me dessa vossa pele dogmática. Quero ser livre, à parte das vossas vísceras verbais, que pensais ser

Viveis uma existência que vos espelha uma face zoina de aparências. Pareceis um velho que não consome a diferença, palrais como um papagaio de falsete. E mesmo assim, assim mesmo uma agilidade de falcatrua vos enche, até ao dia que vós acordareis desse negro abajur que todos os dias, assim vos encobre a viver.